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48 horas em Buenos Aires: Diario Catarinense - Viagens

12 de novembro de 2013
BUENOS AIRES
Charme portenho
 

Antes de deixar a cidade que me acolheu entre suas avenidas, estava perambulando pela rua Defensa, que nos guia por meio de antiguidades, bares e curiosidades, emoldurados pela arquitetura de um dos bairros mais antigos da cidade. Em San Telmo, se caminha da Plaza Dorrengo até a Plaza de Mayo, se encanta com um pequeno show de tango e se diverte com um personagem borracho que ganha vida nas mãos de seu marionetista.

Entre coisas incríveis como a banca só com brinquedos do passado, o colecionador de bonequinhos de guerra, os lustres refletidos em espelhos antigos, perto do músico e no meio dos turistas, está a carismática Mafalda. Eternizada pelo traço de Quino na década de 1960, a menina que colocava o mundo no divã, espera sentada para uma fotografia na esquina com rua Chile.

Naquele domingo, após uma noite chuvosa, a Avenida 9 de Julio – dia da independência do país conquistada em 1816 – poderia ser um cenário inspirador para Quino. Próximo ao Obelisco, marco de 400 anos da cidade, um senhor apressa o passo para cruzar as cinco faixas da avenida, uma das mais largas do mundo. Enquanto apoia a bengala na mão esquerda, a direita limpa os faróis dos carros parados no semáforo. Tudo a troco de pesos que, com a economia inflacionada, valem centavos de real.

Mas há quem explore bem a força da moeda estrangeira. O melhor exemplo, e que tanto contrastou com a Buenos Aires das ruas, são as casas de show de tango. Fomos ao Señor Tango e o programa é um espetáculo, com passos ousados e sensuais de bailarinas e bailarinos esculpidos como manda a cultura da beleza. Luzes e interpretações para entreter uma plateia de maioria brasileira.

Recoleta, a europeia

Ao lado da Avenida Libertador, em frente ao Museu Nacional Belas Artes (que também vale a visita, em uma programação com mais dias), ciclistas paravam para ver, crianças e senhores dançavam, e diferentes ficavam entre iguais ao som do canto gaudério retratando histórias das planícies argentinas. O gaiteiro dedilhava o acordeão, que chorava e se alastrava ao ritmo do violão e do violoncelo. Ao fundo, as pétalas de aço da escultura Floralis Generica, do arquiteto Eduardo Catalano, refletiam as cores de um dos bairros mais charmosos da capital, a Recoleta.

Sentados nos gramados verdes da primavera, namorados e amigos tomam mate enquanto acompanham o show do artista mais próximo. Rock, folk, tango ou jazz. O verbo corre solto entre sorrisos, versos e aplausos.

O Cemeterio de la Recoleta, com portões e estátuas que nos deixam intrigados à noite, se revela cheio de vida durante o dia. Entre os mausoléus, aquele que abriga Evita Perón é um pretexto para se perder nos corredores estreitos que levam a diversos pátios mais amplos e que parecem cenários para um filme de suspense. Gatos perambulam por toda a parte no cemitério que não tem o peso triste da morte e vive embalado pela vida que vibra ao seu redor.

ERICH CASAGRANDE

Fondo argentino de cooperación sur-sur y triangular